Não sei se fiz tudo o que tinha a fazer
O tempo parece ter me vencido
Espero um dia ser dele senhor e poder controlá-lo
Como hoje o faria se pudesse
Espero conhecer em breve tais segredos
A verdade é que passou
O tempo acabou, embora pareça que mal começou
Ou bem começou, embora pareça que já acabou
Mas, seja quem for, não fiz
Não sou todo fracasso por isso
Mas sinto-me mais distante de não sê-lo
Faltou coragem
E é tudo parte desse processo
Eis o desenvolvimento da crítica
Nada é tão simples ou certo
Quanto as palavras, palavras
Que mal existem, sei que não existem
São meu inimigo e preciso delas
Quem sou eu senão o que expresso
E quem sou eu que uso palavras
Quando elas nada significam
Mas o tempo
Este é seu próprio senhor
Este existe e em diversas dimensões
Em todas que houver
E por isso me controla
Persegue e finge
Como o melhor cão
Que é meu amigo
E num dado momento diz:
Eis a tua última oportunidade!
E é então que acaba
Tudo passa
Tudo acaba
O mundo é um lugar perdido
E o problema dele é um só:
O homem
O desenvolvimento da inteligência,
Acrítica, note
Resulta nisso: Nada
Parafernálias e cacaréus
E a evolução inútil
Eis nosso legado
Morte e Destruição
Desde sempre e para sempre
Eis a essência de nossa existência
Enquanto sujos que se lavam
E seguem imundos
A linha tênue que separa
Meu pessimismo
De minha alegria e amor
Demarca justamente
Do que sou capaz
E é esta dualidade que me compõe e me consome
É o homem
Que constrói
E compõe sonhos diversos
Materializa fantasias
Mas não fantasia como deveria
E por isso é que é homem
E não bicho
Afinal bicho não tem papel que valha alma
Amanhã não me importarei tanto com os que vierem
Mas hoje me importo com os que aqui estão
E não mais amanhã estarão
E é por isso que é
Tudo é transitório
De definitivo
Não te querem nem a alma
Amizades eternas não movem o processo de produção
E humanização nada é senão
Conversa
De vagabundo
E é o que sou: o vagabundo
Por isso preciso das palavras
Que ninguém irá ouvir
Por isso preciso da alma
Que ninguém irá comprar
Pois nela não há valor de que necessitem
Interação é segurança
E isso é lucrativo
Mas me engana quem diz
Que é necessário
É um erro:
Apenas isso.
Podia parar por aqui
Mas vou além
Ou não
Não importa
Já não faz diferença
É tudo cíclico
Na medida em que é infinito
É como a curva que tende a zero
E nunca chega nele
Divida meu valor ao meio
E nunca me anulará
Sou mais que nada
E isso não é muito
Mas já é algo:
É o que sou.
domingo, 27 de janeiro de 2008
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Um comentário:
"O que somos senão tudo o que nós fazemos?"
Acredito piamente nisto.
Não somos seres programados ao nascer.
Nossas atitudes revelam quem de fato somos, é claro, existe outros fatores que de certa forma nos obrigam a fazer certas coisas e o tempo ou a falta de tempo é um fator culminante nesse aspecto.
Ser senhor do tempo é de fato acreditar que o tempo não volta mais e de certa forma aproveitá-lo de acordo com o que nos é oferecido. Em síntese, ser senhor do tempo é reconhecer que não podemos controlá-lo e aproveita-lo sobremaneira.
Parabéns pelo texto.
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