“Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
(...)
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem”
Que as nuvens não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
(...)
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem”
Trechos de Somos Quem Podemos Ser - Engenheiros do Hawaii
“They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
(...)
When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
(...)
Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and class less and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
(...)
There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me”
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
(...)
When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
(...)
Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and class less and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
(...)
There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me”
Trechos de Working Class Hero – John Lennon
Algodão?
É um vício do homem esquecer o que ele pensa estar abaixo de si. Não nos dizem apenas que as nuvens são de algodão, mas também que o mundo se reduz a isso que podemos ver. Isso que nos deixam ver. Isso que nos deixam ser. Constroem a muralha perfeita, fechando-nos na mais bela redoma. Enchem de adornos tudo o que está inserido naquilo que é o perfeito modelo da alienação. E privam-nos dos choques, dos entraves mais importantes, dos únicos momentos em que as circunstâncias podem realmente nos ensinar algo.
Um dia descobri que a música não era apenas música, que a arte não era apenas arte. Nada era apenas o que deveria ser. O mundo estava destruído, a diferença estava instalada, os valores imbecis que nos governaram vinham abaixo repentina e vertiginosamente. A base da mentira sempre esteve na ilusão. Iludem-nos quando afirmam que uma ditadura é diferente da outra, repetindo que apenas é ou não ditadura o que o Alto Comando assim considerar ou não, quando a única diferença é o capital, que rege inclusive o nível de censura dentro de um governo. Afinal, para eles a “ditadura” instalada pela verdadeira democracia é um crime, mas a ditadura baseada na falsa democracia é louvável.
Será que eles acreditam na própria noção de democracia? Será que também estão iludidos pelas próprias convicções? Querem criar governos de “todos” para poucos, e omitem o caráter excludente dessa falácia. Tratam de condenar os que procuram algo de todos para todos, afirmando que eles estão apenas em busca de algo de “todos” para si ou de si para “todos”.
As verdadeiras opções são mal-faladas e destruídas nos círculos de salafrários, e depois eles surgem com aquela conversa de liberdade e mascaram a opção que nos indicaram, para que escolhamo-na e não lutemos contra ela enquanto ela nos destrói. E assim somos facilmente destruídos sem sequer notar. E, quando acordamos, somos loucos.
Ah, os loucos merecem meses, anos, séculos, vidas inteiras de raciocínio, dissertação e da devida elucubração. São um quadro perfeito, embora mal vistos. Fogem da realidade que lhes é imposta, e por isso são verdadeiros revolucionários despercebidos. Enxergam por trás da barreira policial que determina quem está ou não à margem do sistema, e por esse motivo são descartados pela sociedade. Não seguem padrões nem regras que apenas queiram lhes moldar dentro do que os modelos julgam por perfeito e completo. Enxergam que as nuvens não são de algodão, que a arte é uma arma e que “a working class hero is something to be”. Eles sabem quem é o camponês e quem é o senhor feudal. Sabem que a polícia não está aqui só para protegê-los, mas sim para manter a sociedade dentro de seus torpes padrões.
Almejo a loucura e sonho com o dia em que estejamos todos livres do maior vício do homem – o de ignorar, por comodidade, o que deveria conduzi-lo em busca da diferença, da alternativa. Luto pela liberdade, uma liberdade que nos garanta o direito à diferença e faça-nos romper o lacre e disseminar a verdade. O mundo não é lindo, nada é perfeito, e a mais perfeita beleza está justamente no homem capaz de reconhecer isso. Não adianta tapar os olhos e dizer a todos que façam o mesmo, pois os loucos sempre enxergarão, e sempre tentarão gritar e quebrar as paredes de vidro desse modelo sujo.
Existe muita coisa em todas as direções e não devemos olhar apenas acima, a buscar o inatingível, porque isso apenas nos mantém mais distantes da crítica. Sorrir e adorar falsos ídolos sobre a montanha pode até ser um sonho, mas não para os que buscam a consciência. A dor existe, e um recado martela as mentes dos que tentam escondê-la: a glória deles é fictícia e efêmera.
Um dia descobri que a música não era apenas música, que a arte não era apenas arte. Nada era apenas o que deveria ser. O mundo estava destruído, a diferença estava instalada, os valores imbecis que nos governaram vinham abaixo repentina e vertiginosamente. A base da mentira sempre esteve na ilusão. Iludem-nos quando afirmam que uma ditadura é diferente da outra, repetindo que apenas é ou não ditadura o que o Alto Comando assim considerar ou não, quando a única diferença é o capital, que rege inclusive o nível de censura dentro de um governo. Afinal, para eles a “ditadura” instalada pela verdadeira democracia é um crime, mas a ditadura baseada na falsa democracia é louvável.
Será que eles acreditam na própria noção de democracia? Será que também estão iludidos pelas próprias convicções? Querem criar governos de “todos” para poucos, e omitem o caráter excludente dessa falácia. Tratam de condenar os que procuram algo de todos para todos, afirmando que eles estão apenas em busca de algo de “todos” para si ou de si para “todos”.
As verdadeiras opções são mal-faladas e destruídas nos círculos de salafrários, e depois eles surgem com aquela conversa de liberdade e mascaram a opção que nos indicaram, para que escolhamo-na e não lutemos contra ela enquanto ela nos destrói. E assim somos facilmente destruídos sem sequer notar. E, quando acordamos, somos loucos.
Ah, os loucos merecem meses, anos, séculos, vidas inteiras de raciocínio, dissertação e da devida elucubração. São um quadro perfeito, embora mal vistos. Fogem da realidade que lhes é imposta, e por isso são verdadeiros revolucionários despercebidos. Enxergam por trás da barreira policial que determina quem está ou não à margem do sistema, e por esse motivo são descartados pela sociedade. Não seguem padrões nem regras que apenas queiram lhes moldar dentro do que os modelos julgam por perfeito e completo. Enxergam que as nuvens não são de algodão, que a arte é uma arma e que “a working class hero is something to be”. Eles sabem quem é o camponês e quem é o senhor feudal. Sabem que a polícia não está aqui só para protegê-los, mas sim para manter a sociedade dentro de seus torpes padrões.
Almejo a loucura e sonho com o dia em que estejamos todos livres do maior vício do homem – o de ignorar, por comodidade, o que deveria conduzi-lo em busca da diferença, da alternativa. Luto pela liberdade, uma liberdade que nos garanta o direito à diferença e faça-nos romper o lacre e disseminar a verdade. O mundo não é lindo, nada é perfeito, e a mais perfeita beleza está justamente no homem capaz de reconhecer isso. Não adianta tapar os olhos e dizer a todos que façam o mesmo, pois os loucos sempre enxergarão, e sempre tentarão gritar e quebrar as paredes de vidro desse modelo sujo.
Existe muita coisa em todas as direções e não devemos olhar apenas acima, a buscar o inatingível, porque isso apenas nos mantém mais distantes da crítica. Sorrir e adorar falsos ídolos sobre a montanha pode até ser um sonho, mas não para os que buscam a consciência. A dor existe, e um recado martela as mentes dos que tentam escondê-la: a glória deles é fictícia e efêmera.
Um comentário:
A abolição do efêmero é conseqüência direta dos que podem criticar aquilo que pregam. Nuvens não são feitas de algodão, forte alusão a teorias que impõem verdade absolutas, diria ainda que ídolos não são feitos de pedra ou mármore, são feitos de idéias e isso garanto você tem.
Num baralho existem 52 cartas, a sociedade quer sim que você pense dessa forma, não digo que é algo errado mas peço-lhe não se esqueça dos curingas.
Postar um comentário